Pais de crianças autistas denunciam falta de terapias em Canindé de São Francisco

Pais e responsáveis por crianças com transtorno do espectro autista (TEA) em Canindé de São Francisco (SE) realizaram protestos e cobram providências da gestão municipal diante da falta de terapias para os filhos. Segundo os relatos, cerca de 600 crianças atípicas estariam sem atendimento regular desde o ano passado após mudanças no modelo de assistência.

Cedido ao F5 News

De acordo com uma das mães que participou das mobilizações, a situação começou quando a administração municipal decidiu fechar o Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEE), espaço onde as crianças recebiam acompanhamento multidisciplinar. “A gestão decidiu fechar o CAEE, que era onde as crianças atípicas tinham atendimento”, relatou.

Com o fechamento do local, os atendimentos foram transferidos para o centro de especialidades instalado no chamado Hospital Novo. Segundo os pais, além da mudança de local, houve redução na frequência e na duração das terapias. Antes, as sessões ocorriam semanalmente e tinham cerca de 40 minutos de duração. Após a mudança, os atendimentos passaram a ocorrer a cada 15 dias e com tempo reduzido, em média de 30 minutos.

Ainda de acordo com os responsáveis, no fim do ano passado os atendimentos foram interrompidos durante o período de férias, e muitas crianças tiveram pouquíssimas sessões ao longo do ano. “Meu filho mesmo, depois da mudança, teve apenas duas sessões no ano e, em dezembro, só uma consulta de cerca de 30 minutos”, afirmou a mãe que não quis se identificar.

Segundo as famílias, a gestão municipal informou que o fechamento do CAEE ocorria porque o espaço passaria por uma ampliação. Diante da justificativa, os pais decidiram aguardar a reabertura do serviço. No entanto, eles afirmam que prazos anunciados para a retomada do atendimento não foram cumpridos. A insatisfação levou à criação de um grupo de mães para discutir a situação e compartilhar relatos sobre o impacto da falta de terapias no comportamento das crianças.

“Quando meu filho fazia terapia, ele não tinha tantas crises. Agora ele entra em crise quase todos os dias”, contou.

Diante da situação, um grupo de mães decidiu organizar uma mobilização no município. O primeiro protesto ocorreu no último dia de carnaval e ganhou repercussão nas redes sociais. Após a manifestação, a prefeitura iniciou um processo de rematrícula das crianças e anunciou a reabertura do espaço de atendimento. Mesmo assim, segundo os pais, a estrutura atual não seria suficiente para atender toda a demanda.

Antes da mudança, o serviço contava com seis profissionais responsáveis pelos atendimentos. Atualmente, conforme relato das mães, apenas três especialistas estariam atuando no local, o que seria insuficiente para atender o número estimado de cerca de 600 crianças atípicas no município. Os pais também relatam que foi informado que crianças que já possuem diagnóstico fechado poderiam voltar para uma fila de espera, enquanto o atendimento inicial seria priorizado para casos que ainda estão em processo de diagnóstico.

Durante uma reunião realizada nesta semana com representantes da prefeitura, a gestão teria solicitado um prazo de 15 dias para reorganizar o atendimento e garantir assistência às crianças. “A gente só quer que nossos filhos tenham acesso às terapias e ao tratamento que precisam”, afirmou.

As mães informaram que aguardam o prazo estabelecido, mas não descartam novas mobilizações caso a situação não seja resolvida. Segundo elas, o objetivo das manifestações é garantir que as crianças voltem a receber acompanhamento regular e adequado.

Posicionamento da prefeitura

F5 News entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Canindé de São Francisco, que informou que o antigo CAE funcionava por meio do Atendimento Educacional Especializado (AEE), programa ligado à Secretaria de Educação. Segundo a pasta, houve uma determinação do Ministério Público para que esse tipo de atendimento fosse reorganizado dentro das próprias escolas, por meio de salas multissensoriais.

De acordo com a secretaria, após essa orientação, o município reorganizou o serviço e iniciou a implantação de um novo projeto voltado ao atendimento de crianças com necessidades especiais. A iniciativa estaria em fase de implementação e contará com uma equipe multidisciplinar formada por profissionais como fonoaudiólogo, fisioterapeuta, nutricionista e psicopedagogo, além de diversas especialidades médicas.

Ainda conforme a pasta, cerca de 691 crianças com necessidades especiais estão cadastradas no município. Por causa da alta demanda, os atendimentos estão sendo realizados por meio de um sistema de rodízio entre os pacientes.

A Secretaria de Saúde também informou que alguns atendimentos já foram retomados desde a reabertura do serviço nesta semana e que outras especialidades, como fisioterapia, fonoaudiologia e nutrição, não possuem fila de espera no momento.

Segundo a gestão municipal, a expectativa é de que o atendimento esteja completamente regularizado nas próximas semanas. “Pedimos apenas um pouco de paciência. Dentro de 15 a 20 dias o atendimento deve estar sendo regularizado para todos”, informou a secretaria.

Fonte: F5news

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